Precisamos de lei para garantir a cidadania?

Lendo sobre as principais notícias da semana, encontrei decreto do Prefeito regulamentando a Lei nº 14.481/2007, que prevê reservas de vagas para idosos em estacionamentos públicos e privados na cidade.

Isto quer dizer que, após três anos, apesar de a própria lei estabelecer 120 dias como prazo para sua regulamentação, finalmente, o Executivo fez a lição de casa.

No entanto, alguns locais já se adaptaram e reservam vagas para idosos, talvez em decorrência da legislação federal que obriga aos municípios manterem essa porcentagem em estacionamentos da cidade.


Mais preocupante do que o atraso do ato do Executivo, o que já demonstra desrespeito a direitos de cidadania de determinada camada da população, é o fato do desrespeito explícito de certos "cidadãos" que ocupam essas vagas irregularmente.

Quem ainda não testemunhou isso, por exemplo, num final de semana em qualquer shopping center da cidade? Na maior cara de pau inúmeros "cidadãos" nem se dão ao trabalho de procurar ou esperar por uma vaga, visto que aquelas destinadas às pessoas com necessidades especiais - idosos, deficientes, gestantes - estão bem ali, fáceis de serem acessadas e quase sempre desocupadas.

Dá prá ficar bem indignada com uma situação dessas, não?

E Sampa está envelhecendo. Não por conta dos séculos de sua existência, mas porque pesquisas demográficas indicam que sua população está cada vez mais amadurecida. Em 14 anos, São Paulo terá mais idosos do que crianças. Indicadores apontam que nos próximos 10 anos, o número de paulistanos com 60 anos ou mais aumentará 35% (1,3 milhão de pessoas).


A cidade está preparada ou se preparando para essa mudança? Está se adaptando para receber essa grande parcela da sua comunidade? Há acessibilidade, espaços e serviços públicos adequados e eficientes para esses cidadãos? Há políticas públicas sendo elaboradas para essa camada? Dá prá confiar que iremos envelhecer em condições saudáveis nesta cidade?

Bem, se houve demora de três anos para regulamentar uma simples lei que foi promulgada após legislação federal no mesmo sentido, dá para ficar bem preocupada com o cenário que vamos encontrar daqui a mais de uma década.

E, mais, a cidade é educada o suficiente para entender e agir com cidadania e solidariedade?

Comentários

Sérgio disse…
Realmente, é triste, mas ainda estamos em um estágio muito primitivo de civilização, em termos de convivência urbana. Se é tão difícil, em uma situação como essa (afinal, todos temos idosos na família ou conhecemos alguém que necessita dessa facilidade das vagas exclusivas), obter o respeito à regra, que dirá em temas mais complexos e que realmente podem fazer a diferença na vida da cidade?

Forte abraço!

Sérgio Salomão
silvia masc disse…
Sempre me questiono, porque algo que deveria acontecer naturalmente, é preciso ter uma lei para que seja respeitado, e mesmo assim não é. Muito legal esse post, escrevo sobre Longevidade e gostaria de pedir a permissão para reproduzir o seu post na íntegram atribuindo à você e ao seu blog os créditos, você permite?

abrsços,
Silvia Masc disse…
ET: meu e-mail é silvia.masc@gmail.com

Obrigada.
Dilze Lima disse…
Sérgio, a cidade e seus cidadãos deveriam ficar mais atentos à complexidade de nossos problemas. Mudando, em primeiro lugar seus hábitos. Depois, cobrando o mesmo dos agentes públicos.

Quem sabe um dia consigamos chegar lá?

Silvia, sinto-me honrada com seu pedido. Fique à vontade. O intuito é mesmo provocar alguma reflexão.

Obrigada pelos comentários.
Silvia Masc disse…
Obrigada Dilze, beijo.

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